Para lembrar sempre

Há algum tempo tenho encontrado a mãe que eu não quero ser por aqui. A rotina intensa que a vida ganhou depois que vocês chegaram tem me tirado da estrada. Uma estrada que venho desenhando com muita procura, muita pesquisa, muita busca para não ser a mãe que eu não quero ser. Um caminho que procuro para me livrar de hábitos muito enraizados aqui dentro, de traços fortes da minha jornada misturados com uma personalidade um tanto intolerante e impaciente. E tem dias que eu consigo. E são os dias mais incríveis que temos. Não por vocês, porque vocês são incríveis todos os dias. Mas porque eu consigo ser incrível pra vocês também. Quando deixo de lado o impulso de agir conforme está programado dentro de mim, conforme aprendi que é assim e ponto, e consigo respirar, pensar e fazer as coisas de maneira mais consciente e de acordo com o que acredito ser mais saudável pra nós quatro. Mas principalmente pra vocês. Porque o mundo, meus amores, o mundo é foda pra caralho. E eu não quero prepará-los para ele não. Eu quero é buscar com vocês uma maneira de que todos nós façamos parte de algo melhor. O mundo é foda por culpa dos adultos. O mundo é foda por conta de ideias e conceitos e atitudes e certezas e verdades absolutas que hoje já são por demasiado antigos – tão bolorentos quanto a palavra “demasiado”. Enquanto vocês descobrem como fazer as coisas mais básicas – como comer, dormir, cagar, brincar – eu e seu pai descobrimos como podemos ser parte d”a mudança que queremos ver no mundo”. E nossa parte são vocês. Não queremos que vocês obedeçam. Não queremos impor limites. Não queremos estabelecer regras. Não queremos que vocês façam suas obrigações. Não gostamos dessas palavras. Não nos agrada o autoritarismo que elas carregam. Vocês vão descobrir, buscar, conhecer, experimentar. Vamos juntos escolher e decidir quais são as nossas regras. Vamos nos respeitar através do amor, e assim seremos respeitados naturalmente. Vamos entender e construir juntos a nossa rotina para que o lado entendiante do dia a dia aconteça de forma mais leve e fluida. Tenho pra mim que assim poderemos ajudar o mundo a ser mais legal, mais leve, mais respeitoso. Pois que vocês são parte dele. E se o mundo é foda, se as pessoas são autoritárias, se se revoltam de forma violenta, se não respeitam o vizinho, se não conseguem conviver, se não buscam – ou cansaram de buscar – aceitar e entender as diferentes vivências e escolhas, não as julgue – posto que julgar é outra daquelas palavras das quais não gostamos por aqui. Elas não sabem o que estão fazendo. Estão apenas agindo como lhes foi ensinado, imposto, sem aceitar qualquer mudança. As pessoas tem medo daquilo que não controlam, meus amores. É por isso que eu tenho medo do ódio, da intolerância, mas elas têm medo do amor. E acabam, por ignorância e/ou comodismo, sendo assim, antigas. Na maioria das vezes, elas nem percebem, não sabem enxergar. Quando se depararem com um dos antigos, explorem. Descubram e tentem entender seus conceitos. Ouçam e busquem algo de bom – sempre tem. Mesmo que seja a distância.

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