daquelas sofrências que não se tem mais

daquelasfoi muito e foi tanto e foi demais que não cabe aqui. intenso não começa nem a adjetivar tudo. não sei se já inventaram uma palavra pra isso. sai um peso sem culpa. foram anos, meses, semanas, dias, horas de medo, dor, cansaço, incertezas, solidão. solidão a três. solidão a quatro. eu não mereço culpa. eu não aguento mais drama. eu não preciso de nada disso. eu já entendi muito. eu só quero desopilar.

não porque queira abrir espaço para uma nova carga. não com esse peso. não com esse preço. embora o saldo tenha sido excepcionalmente positivo, o caminho foi esburacado demais. amenizado por poucos e ignorado por muitos. sem pena, sem conselhos, sem verdades, sem julgamentos, sem questionamentos, sem entendimentos. junto apenas. e não com aqueles pelos quais esperei e nunca apareceram.

já passei pelo desapontamento. passei pela raiva, pela frustração, pela tristeza, pela negação. já arrumei justificativas. já me culpei, já me julguei pelo buraco causado pela decepção que meu peito sentiu em noites intermináveis, manhãs exaustas, rotinas puxadas. entendi o quão superficial a modernidade tornou palavras como “amigo”. como são vazias as gírias “tamo junto” e “é nóis”, pra citar um exemplo ou dois. que hashtags não passam de novas formas de dizer aquilo que pode nos dar mais audiência e simplificar o entendimento geral acerca de qualquer bobagem.

eu sou foda. e nossa solidão a três e a nossa solidão a quatro me mostraram que somos foda. demais. e que somos só. somos nós e só. que, ainda bem, agora somos quatro. formamos um cinturão que só a gente sente, vê, toca, molda e que nos protege, nos une, nos sustenta e alimenta.

nos foi dada a oportunidade rara de selecionar com a nossa própria peneira. não precisamos excluir nada, apenas aceitar, entender e respeitar até onde vai cada um, cada gratidão, cada ego, cada limite, cada compartilhamento de vida.

eu não me culpo mais. eu não me ridicularizo mais pelo que senti. eu não me aumento pela minha história, nem te julgo pela sua. eu sei onde apertam os sapatos aqui de casa e isso é só nosso mesmo. só em nós dói e só em nós resolvemos. cansei de procurar, esperar e contar. isso tudo é uma ilusão. que me julguem exagerada, distante, irônica, radical. não me cabem essas carapuças.

que se olhem e se assumam. sê inteiro, diria algum poeta por ai. sê de verdade. eu estou aqui. inteira com minha deliciosa solidão a quatro. e noutro mundo. não mais o seu, não mais aquele meu e, com certeza, não mais o nosso. um novo mundo onde todos vocês cabem, onde todos vocês continuam sendo queridos e amados, mas onde eu não espero mais, onde eu não me permito mais as sofrências de outrora.

(a simbologia dessa foto não é para compreensão de todos. nem quero que seja. ela me pertence e me dou esse direito. não quero ninguém me contando, me lembrando o que isso significa. eu sei. melhor do que você. melhor do que você jamais saberá. e não me venha contar a sua história, ou compará-la a minha, ou se heroizar (tornar-se herói, existe essa palavra?). não venha com “e eu que blá blá blá…”. que bom que você vive a sua vida e eu a minha. aos curiosos digo que se não entendeu, não precisa mais entender. esse tempo já passou e você perdeu. e digo que perdeu porque foi intenso, foi forte, foi lindo, foi difícil. e é eterno.)

(de 07/abril/2015)

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s