Praticar a sororidade é mais fácil do que começar a amamentação!

Cópia de IMG_6313 Aconteceu na primeira vez que me perdi nesse imenso e vasto caminho da maternagem: durante o processo de amamentação do Gabriel. Porque olha, não importa o quanto te contem, não importam os livros, artigos, dicas, conselhos, o início da amamentação é doloroso para a maioria de nós (queria dizer que é assim para todas as mães, umas em maior outras em menor grau, mas sempre – sempre – vai ter aquela que vai dizer que foi lindo, fluido, tranquilo, indolor, instintivo e perfeito… derrube esse muro, mulher! e junte-se a nós.).

Desde a primeira, primeirinha, primeirona mamada não estava dando certo. Doía pra cacete e eu não aguentava. Pelos primeiros dias me mantive firme e forte na carcaça achando que a fraca era eu. Não era possível. Todo mundo faz e diz que é uma delícia!!

Por dentro, me corroía. Chorava litros e nem tinha ido pra casa ainda!

As enfermeiras da maternidade prestaram sua consultoria padrão. Mas a amamentação não estava dando certo. Quanto mais eu tentava, mais doía, mais o Gabriel chorava, mais meu peito sangrava.

Meu desespero era tanto que ao irmos pra casa com ele, fizemos o trajeto casa – maternidade todos os dias, durante uma semana, para tentar dar certo. Não estava acontecendo.

Até que tivemos que suspender o peito para que ele pudesse cicatrizar. Gabriel estava mamando sangue. Então ele tinha que tomar fórmula, que a gente dava num copinho muito pequenino porque caguei de medo d’ele curtir a mamadeira e eu não estava afim de desistir do peito não!

O primeiro pediatra que fomos foi um babaca. Ele me disse que eu tinha que dar um jeito de amamentar e pronto. Grande ajuda! Me deixou ainda mais culpada e sozinha, achando que o problema todo era eu, minha fraqueza em suportar a dor e do meu corpo em sangrar o peito até o limite da carne.

Aqueles dias de leite no copinho minúsculo, eu andando que nem índia em casa com as tetas pra fora e minha frustração em relação à amamentação deixaram tanto eu quanto o Otavio completamente exaustos.

Cópia de IMG_5354Na intensa angústia em resolver aquilo a tempo, fui pedir ajuda no improvável.

Eu não tinha muitas amigas com filhos pequenos. Só uma. A Thais, que estava com uma bebê de 2 meses, logo, no seu próprio puerpério.

Mas tinha a Mari, amigona de uma grande amiga minha. Éramos conhecidas. Mas ela era amiga da amiga. A Mari também era ex-namorada do meu marido. Do pai do Gabriel.

Ela me acolheu lindamente. Me apresentou a pediatra dos meus filhos, uma pessoa maravilhosa e especialista em amamentação que nos recebeu e me apoiou e conseguiu entender tudo o que eu falei na primeira consulta entre soluços e lágrimas inconsoláveis. A Dra Nina conseguiu olhar o Gabriel e a nossa dificuldade com carinho. Dentre algumas coisas, ela sugeriu a relactação/translactação e me incentivou a tirar leite com bombinha. Ai!

imagem de relactaçãoVoltamos pra casa animados, mas fiquei um pouco preocupada com todo esse aparato. A vida, essa fanfarrona linda, colocou de novo a Mari nessa história. Foi dela que vieram a bombinha e o relactador. Ela conhecia a relactação/translactação e me contou maravilhas de sua história.

Foi assim, sendo acolhida por alguém inesperado, que a amamentação do Gabriel superou todas as dificuldades e seguiu feliz e intensa por 1 ano e 2 meses – só parou quando eu engravidei novamente e ele passou a rejeitar o leite. Embora eu tivesse preparada para a dupla amamentação, em alguns casos o gosto do leite muda durante a nova gravidez e a criança desencana. E foi assim, naturalmente, que o Gabriel deixou o leite guardadinho aqui para quando o Tomás chegasse. E como Totom precisou desse presente! A natureza é boa demais.

A Mari me acolheu em paz, sem esperar nada em troca, sem verdades, com poucas e importantes palavras e muito ouvido – e olhos, visto que 90% dessa relação aconteceu/acontece on line. Não me julgou, não contou sua experiência, não deu de ombros. E “ela não precisava ter se importado”, pensava eu.

Foi então que muitas desconstruções atropelaram a minha cabeça e eu conheci o conceito de sororidade. A partir daí a maternagem ganhou vida dentro de mim e me trouxe coisas lindas como a Mari e a sororidade, e me emponderou, me fortaleceu, me ganhou.

Obrigada, minha amiga, Mari.

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