Acaba não mundão!

nenhum ato de generosidade, não importa o quão pequeno, será desperdiçado. jamais.

Eu sempre quis parto normal. Então descobri que tem o parto normal, o parto natural, o parto em casa, o parto com doula, o parto na banheira, o parto de cócoras, o parto cesárea. O parto respeitoso e o parto possível.

Eu sempre quis que meus filhos comessem comida fresca, orgânica, caseira. Então descobri o cansaço, a falta de tempo, a bagunça da casa, a vontade de voltar a trabalhar, a saudade do eu-esposa, o tempo de brincar, a hora do banho. O congelar a comida e a leitura de rótulos.

Eu sempre quis passar o máximo de tempo com os meus meninos. Então descobri a maternidade ativa, a criação com apego, a escola perfeita pra gente, a mudança de trabalho, a nova rotina, a nova casa. As escolhas que geram a proximidade com a vida que se quer ter.

Eu queria voltar a trabalhar. Então descobri os berçários, as escolas, as babás, as avós, os leva e traz, o organizar do dia no dia. A convivência com outras crianças e um tempo só deles.

Já dizia o poeta que cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é. Também vale para as escolhas que fazemos – cada um sabe a dor e a delícia de cada uma delas.

O Mil Maneiras nasceu com a ideia de respeitar e ter empatia por cada uma de nós e a forma como escolhemos/achamos para reorganizar nossas vidas com a chegada dos filhos. Já nos sentimos sobrecarregadas demais por natureza, o mundo poderia ser mais acolhedor e menos questionador com a gente.

Antigamente as mães tinham que lidar com pitacos, conselhos, sugestões das avós, tias, amigas. Ficavam entregues a tradições e crenças, porque assim eram aqueles tempos. Hoje em dia existe uma rede de informações imensa. É possível decidir com calma e de forma mais cuidadosa e coerente. Podemos pesquisar jeitos diferentes de fazer as coisas e que não repitam heranças vencidas. Assim como podemos optar por seguir aquela boa e velha tradição da família. Isso é empoderamento. É emancipação. É viver – e conviver – com nossas escolhas de forma livre e consciente.

Estamos num mundão muito legal e parte dele está cheio de vontade de acabar com o paternalismo e apagar conceitos e atitudes retrógradas, machistas, violentas e preconceituosas enraizadas na nossa sociedade. É muito inspirador estar aqui agora, mais ainda quando imaginamos como podem ser essas crianças e os filhos que virão delas. Jovens e adultos mais conscientes, caridosos, voltados para o coletivo, com respeito ao próximo independente de gênero, raça, credo, time de futebol. Estamos de olho nas atitudes de violência contra a mulher, as crianças, as minorias. Ser feminista nunca foi tão legal e importante pra mim.

Eu sei. “É utópico”, vocês podem dizer. Mas eu insisto e acredito, posto que o conformismo e a indiferença trazem o fracasso, sustentam a violência e a arrogância. É o meu jeito de fazer parte da mudança que eu quero ver nesse mundão.

Que sorte tenho eu de conviver em um grupo onde todos os caminhos levam a tolerância e ao respeito. Gostaria que esse grupo fosse o mundo inteiro.

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