“Ter filho homem é: Treinar a esquiva 24hs por dia.”

VLUU L100, M100 / Samsung L100, M100Li isso no facebook de uma amiga esses dias. Ri e concordei. Não sei se é exclusividade de menino. E acho que pode ser uma coisa de fase, independente de gênero.

Assim como acho que existem meninos mais tranquilos, devem ter meninas mais agressivas e que curtem tabefes, chutes, mordidas com a mesma intensidade. Mães de meninas, o que vocês me dizem?

Eu tenho dois meninos em casa. Um que se expressa bastante com muito choro e perigosas expressões corporais, outro que é mais bravo porém mais comedido. Enquanto o mais velho tem crises de xilique, choros incontroláveis, berros de leão, rosto vermelho de raiva, e – claro – tapas, chutes e mordidas, o caçula dá poucos e certeiros tapas, nos presenteia com expressões faciais que não escondem o quão puto ele está e pratica arremesso de brinquedos.

São pequenos ainda, e tudo isso pode mudar. Por enquanto tem sido mais fácil pra mim lidar com o bravo. Ele fica puto. Eu entendo a putisse. Ele extravasa de maneira mais focada e as vezes me pego pensando se quando ele for mais velho terá interessantes e objetivas formas de expor seus sentimentos e opiniões. Será que ele vai ser mais racional? Não penso se isso é bom ou ruim, porque isso depende dele. De como ele vai se sentir mais confortável e seguro ao se expor – eu estarei ao lado dele, e espero que assim possa ser sua parceira de escuta. Vejo nele um pouco de quem sou hoje. Mais ponderada, porém não menos brava.
Me pego assustada com o mais velho. Me vejo imensamente nele. Percebo dentro dele toda a raiva que já tive em mim e, de novo como ele, nunca soube muito bem como externa-la. Fico tranquila ao ver que ele a coloca pra fora, não guarda, não esconde, não a alimenta, e preocupada quando vejo que vem tão intensamente em sua forma física colocando a ele e a mim, pai e irmão sob o risco de se machucar.

Justamente por tanta identificação nesse comportamento, procurei novas e diferentes formas de lidar isso. Quero que ele se livre das maneiras perigosas e encontre outras mais saudáveis de se livrar disso (mais pra frente, a escolha de um esporte deverá ajudar) e entender como posso ser uma facilitadora nesse processo. Uma das primeiras novidades, antes mesmo de ele ter idade pra tanto, foi a escuta do choro. Vou captando comportamentos que sei que podem culminar numa explosão, aparentemente, sem sentido e quando consigo perceber um encontro entre esse momento e meu estado emocional disponível, levo ele para outro cômodo and let the cry begin! Com o tempo, já consigo discernir algumas vezes o choro que precisa ser escutado, e também me dou a liberdade de não escutar quando não me sinto emocionalmente bem ou paciente. É importante a disponibilidade e entrega nessa relação, até porque nem sempre acho que a escuta funciona e talvez não seja a melhor alternativa para todas as famílias. Fomos testando e entendendo aqui em casa. Com a terapia, esses momentos se tornaram ainda mais possíveis – pois que eu tenho a minha parceria de escuta também.

Muitas vezes o choro para antes que aquele bichinho tenha ido embora por completo, as vezes para porque ele, exausto, dorme, outras porque eu acabo me desconectando no meio do processo…

Isso aconteceu esse final de semana. Ele precisava, eu me disponibilizei. Ele se debateu, gritou. Ele quis me morder, me bater, me chutar. Gritou coisas pra mim que sei que não são dele. Foi intenso demais e acabei dando um grito no meio. No instante seguinte eu já estava me chicoteando internamente por isso e procurei retomar a conexão. A partir dali também deixei de estar tão passiva. Ele suava demais então comecei, mesmo contra a sua vontade, a tirar sua roupa. Até que ele pediu pra ficar pelado, e cada peça que eu tirava, mais calmo ele ficava. Começou a aceitar o colo. Chamou pelo pai que estava viajando. O choro foi diminuindo, virando um soluço e ele se acalmando.

Então encostou a cabeça no meu ombro e disse: “Eu não quero morder as pessoas, mamãe”. “Eu sei”, respondi segurando o meu choro e abraçando-o firmemente. Ele pediu pra dormir. Deitamos juntos (“aqui seu espacinho mamãe”), vesti nele um moletom limpo, meias e cueca. Contamos histórias, demos abraços e beijos e então ele quis levantar e ir brincar na sala. Exausta, quem dormiu fui eu.

Uma das coisas de ser mãe é que você nunca sabe se aquele caminho é o certo. Mas entendi ali que as vezes podemos saber quando não é o errado. Estamos num caminho bom.

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