O meu motor 3.8

10agostoQuando descobri o Tomás aqui dentro, um pensamento – dentre tantos – me atormentava. “Agora que meu corpo ia voltar a ser meu!!!”. Eu já tinha perdido todos os quilos que ganhei na gravidez do Gabriel – então com um ano, sua amamentação seguia firme e forte mas com menos frequência, estava começando a retomar a vida de trabalho, sair com amigos, já poderia fazer algum exercício se quisesse, estava cabendo em roupas que sentia saudades de usar… Mais importante, estava me reconhecendo no espelho. Com alguns fios de cabelos brancos e umas ruguinhas novas, mas estava ali. Inteira. Depois de 2 anos.

#Soquenao.

Lá vinha tudo de novo.

IMG_4988Barrigão, enjôos, restrições alimentares, cansaço, micro xixis que nos fazem levantar a madrugada inteira, intestino preso, fomes fora de hora, a busca pela posição para dormir, sentar, andar, comer, tomar banho. E, no caso da gestação do Tomás, tudo isso ainda mais intenso por conta do risco, do repouso forçado de meses deitada.

Depois que essa coisica linda e guerreira nasceu, superou todos os perrengues que o desafiaram assim que chegou nesse mundão-de-meu-deus e a amamentação parou naturalmente, eu pensei que – iuhú – teria meu corpo de volta.

#Soquenao.

Anos atrás, numa Era pré-Tomás, o Gabriel quebrou o único espelho da casa. Um dia viajamos e no hotel tinha um espelho. De corpo inteiro. Quando eu me olhei ali, não me reconheci.

De 2012 pra cá eu tirei de mim duas delícias e um útero. No espaço que ficou, outras fisiologias se formaram. São novas dores, algumas em lugares nunca imagináveis. Dores nas costas, braços, pernas, nessa dobra aqui, nesse local especifico ali. Pés cansados. O cabelo lindo que a gestação trouxe, revelou-se ainda mais rebelde depois de tudo. Ele também mudou. A pele, aquela coisa incrível que os hormônios nos dão, desenhando – literalmente – as noites não dormidas, a batalha da amamentação de um, os dias de uti do outro, toda a montanha russa de emoções e inseguranças dos últimos anos. A cicatriz na barriga, a pochetinha eterna que agora me habita.

Todas as tradicionais tentativas de resolver ganhos de peso, inchaços que pesam nas pernas, alongamentos para melhorar as costas e a flexibilidade se tornaram inúteis. Tudo isso mudou. O tempo deste corpo é outro. Não basta mais uma semaninha pra pancinha sumir pro biquíni. Não basta cortar o álcool pra cara inchada parecer mais saudável. Não bastam 8 raras horas de sono ininterruptos para sentir-se numa nova carcaça.

É um novo corpo. É um corpo que sente tudo isso, mas não reclama.

Captura de Tela 2015-09-24 às 11.03.44É um corpo feliz. Ele olha para o peito novo e lembra de como alimentou e fortaleceu a vida. Ele se estende no chão para esticar-se e espreguiçar-se e ganha de presente dois pesos deliciosos em cima fazendo montinho. Fecha os olhos na cama achando que vai dormir, mas deixa os ouvidos bem atentos – especialmente quando passa o barulhento caminhão de lixo, as chuvas fortes com trovoadas, as febres, cólicas e gases. Se encolhe todo para entrar no esconderijo atrás do sofá ou embaixo da mesa. É o corpo que caminha na Sumaré porque sabe que vai ter que jogar bola, correr na praça, entrar na piscina, dançar a música do Leão, levar pra escola de cavalinho e trazer voando como um foguete. Carregar dois pesos de ouro, muitas vezes ao mesmo tempo, no enorme colo que agora tem.

É um corpo que tem novas prioridades. E ele nem precisou da cabeça para descobrir isso. Só do coração.

A natureza é linda demais.

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