Sobre termos tempo pra cada um de nós – 2. tatuagens emocionais

20151101_111212-01(é uma séries de posts já prontos, um por semana. depois da introdução, hoje falo do meu tempo com gabriel. semana que vem, com o tomás. tem também tempo de casal e tempo “meu comigo mesma”.)

Essa história de tempo dedicado com cada um dos meninos apareceu há muito tempo. Achamos importante a construção da cumplicidade, manter a conexão viva e forte. É um caminho eterno, um exercício diário, e não abrimos mão dele.

Gabriel tem se tornado uma criança muito agressiva e raivosa – especialmente em relação a mim e ao irmão. O que me deixa ansiosa por um dia só nosso. E o destino, esse eterno fanfarrão, não estava muito afim de facilitar as coisas.

Nossa primeira vez foi horrível – pra mim. Ele sabia que depois iria pra casa da avó e não conseguia falar e pensar em outra coisa. Foi um dia só nosso, mas com a presença constante da avó e cheia de comportamentos agressivos. Ainda assim, os dias que se seguiram a esse foram especialmente melhores. Ficou muito claro como essa relação exclusiva é necessária. Gabriel só tem 3 anos, ele não tem que entender nada.20150815_102106~2

Ele não tem que entender que é difícil pra mim dividir por igual meu tempo, atenção e dedicação entre ele, Tomás, o marido, o trabalho, as chatíssimas funções da casa, e – inclusive – eu mesma!

Ele não tem que entender que agora não dá. Que o mais novo demanda mais atenção. Que a gente precisa trabalhar. Que o gato não gosta de abraço apertado. Que não pode jogar bola dentro de casa. Que cuspir é uma bobagem que ele vai usar muito com os amigos, fora de casa, quando for maior. Que a casa está limpinha e mijar fora da privada não é engraçado (até porque, é né! Hehehe).

Nossa segunda vez foi meio aos trancos e barrancos, mas foi. Eu tinha planejado um dia no parque com bicicleta e picnic, mas amanheceu um dia horroroso e chuvoso. Me pegou desprevenida de ideias – e o Gabriel não aguenta ficar dentro de casa, é uma pessoa da rua, da natureza, do dia. Embora todo atrapalhado e mais curto do que eu queria, me rendeu a tatuagem na alma “Lembra quando era só eu e você, mamãe?”.

Já tivemos a terceira experiência. E que maravilhosa que foi! Ele agora já sacou o combinado. E curtiu, aproveitou. Criamos pequenas piadas internas, só nossas. Também gestos e códigos. Compartilhamos estórias, falamos de amigos, de coisas que adoro e ele também. Ele trocou o “tá” por “eu te amo, mamãe” quando me declarei, mais de infinitas vezes, tontamente pra ele. Minhas tatuagens emocionais agradecem. E sei que ele começa a ter as suas. Os sorrisos entregaram.

Deixei ele na avó para meu tempo com o Tomás. Ele jogou beijos e pediu que eu os guardasse. Joguei os meus e ele guardou. No coração. Virei a esquina e chorei de saudades. Senti um vazio enorme. Sorri. Estamos num caminho bom.

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