Te cutuca, me cutuco – nosso samba desse carnaval

 

Ontem o Gabriel entrou na cozinha e falou: “Mamãe, quero morder.” Ele sempre foi um mordedor. Quando bebê tudo ia a boca e mordia. Mordia brinquedos, roupas, eu, o pai… nem o gato escapou. Era um destruidor de chupetas e bicos de mamadeira. Só não mordia os amigos. Ou talvez uma vez ou outra.

Não fiquei tão surpresa porque ele anda bem agressivo ultimamente e morder sempre foi uma de suas demonstrações de insatisfação e frustração preferidas. O que me preocupou é que, nos últimos meses, ele anda bem mais agressivo. Fala coisas fortes, chuta, bate e morde com mais frequência. Criei na minha cabeça inúmeras justificativas para isso: o ciúme do irmão, a rotina bagunçada nas férias – depois a volta da estrutura diária que a escola organiza -, brigas, discussões, viagens, novidades… Cheguei a comprar um JoãoBobo para servir de saco de pancada. Funcionou e em 2 dias o brinquedo já estava murchando num canto da sala por algum buraco que ainda não achamos.

Então, lendo o blog português Mum’s the Boss (que eu adoro!), me deparo com o seguinte trecho do texto “A fragilidade dos 3 anos”:

“Aos 3 anos é normal a criança estar mais agressiva e zangar-se com facilidade. (…) Aliás, o morder pode voltar a aparecer nesta idade. Porquê? Porque tem a ver com a intensidade daquilo que ele sente E também com a incapacidade que o teu filho ainda pode ter em exprimir-se.”

É por essas e outras que leituras de blogs e livros tem sido importantes pra mim. O lance de ir apenas na intuição não funciona por aqui.

A escolha que fizemos foi a de sermos parceiros dos meninos durante nosso tempo juntos nessa vida, de estabelecer uma conexão real e uma relação saudável a longuíssimo prazo. Assim que tem sido de grande valia entender alguns processos e fases pelas quais eles passam/passarão e como podemos facilitar a entender a si mesmos.

Cheguei a considerar que talvez Gabriel tivesse alguma questão mais profunda a ser trabalhada por conta dessa agressividade. Mas descobrir que isso é uma característica normal para a idade, nos faz ter mais paciência e empatia para entender e acolher. E assim ajuda-lo a lidar com esses sentimentos e canalizá-los de maneira saudável. Pro resto da vida.

Existem muitos blogs, muita informação cruzada, muita bobagem por ai. Mas a internet pode ser uma ferramenta muito legal para buscar entender e modificar comportamentos culturalmente viciados das nossas vidas.

Uma das maiores transformações da maternidade em mim, foi a da vontade de ser uma pessoa melhor e de criar pessoas melhores. O mundo tá doido demais e criar seres humanos bacanas é sim uma responsabilidade muito grande e que eu agarrei com grande intensidade. Isso não significa ser um fardo, uma coisa pesada nem um mar de rosas. Pelo contrário, é dor e delícia o tempo todo, como tudo nessa vida. Uma amiga bem colocou esses dias:

Pra mim ser mãe é enfiar o dedo nas feridas várias vezes ao dia… tenho comportamentos que não quero ter, que não gosto de ter e quando me vejo no meio dele, já não quero seguir mas é difícil parar e sair. (…) Hoje enfiei forte e vieram lembranças guardadas em gavetas beeeeeem profundinhas. Cutuca fia. Agora guenta e vai digerir. E mudar o comportamento de preferência.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s