#milmanhãs “Acordei! Eba!”

Tomás acordou e eu ouvi lá da minha cama um “Acodei! Eba!”. Tem como não amar? Olhei no relógio. Nem seis e meia da matina ainda.

“Tá didia, mamãe. Tá didia!” O que antes era uma pergunta, agora já vem em tom de “pode levantar”.

Os meninos acordam muito cedo. Todos os dias e every single fucking day da semana. Não importa a horas que durmam, nem se é sábado, domingo, feriado.

Eles levantam cedo e cedo se entediam de ficar dentro de casa. Enquanto eu e o Otavio demoramos a funcionar, as 07h30 eles já estão cansados do nada. Gabriel mais que o Tomás – provavelmente por uma questão da idade. E ele verbaliza muitas vezes:

“Gentchí! Gêêênti! Vamos sair?” ou

“O que vamos fazer hoje? E depois? E depois?” ou

“Onde vamos depois do café? E depois? E depois?” ou

“Mãe, preciso trocar de roupa.”.

Tem também o método fofo:

“Mamãe, já tá didia?”, mesmo sabendo que:

“Sim, Gabriel, já tá didia mas isso não significa que a gente não possa dormir mais um pouquinho, filho. Vem.”

Em vão. Sempre. Cem porcento das vezes.

Agora que já não são mais tão bebês, chegam a emendar até umas 07h30, uma vez – exceção – foram até as 08h. Então que um de nós, as vezes os dois, se arrasta da cama até o sofá da sala e tenta mais meia horinha de dorme-acorda-dorme-acorda enquanto eles leem livros ou brincam. Até que bate a fome e começa o coro da bananinha.

“Quero uma bananinha, mamãe.”

“Bananinha! Bananinha! Bananinha!”

Gabriel, mais experiente que o irmão, as vezes lança um

“Vamos tomar café, gêntchi?”

É o código pra “levanta essa bunda do sofá e ‘bora que o dia começou”.

Então já sabemos, especialmente aos finais de semana, que o lance é sair pra rua. Tomar sol ou chuva. Procurar parque, praça, Paulista fechada ou café da manhã na feirinha orgânica. Era um sofrimento que hoje, pensando bem, é maravilhoso. A gente está mais saudável, a gente curte melhor com eles, a família sai de casa. Porque se dependesse dos pais, tadicas dessas crianças.

Essa é uma das coisas que aprendemos aqui em casa quando entendemos que não, seu filho não vai se adaptar a sua vida antiga. Nem você vai mudar a sua vida por causa dele. O grande barato é criar uma vida nova, para todos. Não é maravilhoso?

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