Santa ceia, Batman!

Macarrão do Hulk, do Homem de Ferro, frango do Falcão, carne moída de cocô, peixinho com pum de minhoca, arroz de lagartixa… Temos uma lista infinita de pratos pitorescos aqui em casa.
Já tive – e ainda tenho – muitas crises com a alimentação deles. Agora me encontro em uma fase um pouco mais tranquila. O lema por aqui nesses tempos tem sido que o importante é a qualidade e não a quantidade.

Refeições lúdicas ajudam os meus dias a serem mais tranquilos – e os deles mais divertidos. Macarrão do Hulk é com espinafre e eles sabem disso. Mas é muito mais gostoso ser do Hulk, verde e deixar forte do que “come esse espinafre que faz bem e deixa forte”. Também é lindo comer no esconderijo (embaixo da mesa de jantar), fazer piquenique na sala, comer no colo, comer com a mão ou com 4 colheres, comer comendo ou fazendo bocão de super-herói, dinossauro e dragão. Uma avó faz lua de pêra e de maçã – cheia, minguante, crescente – e mantém o estoque de castanhas e uva passas cheio, a outra traz manga e melancia nos degraus da escada ou piquenique na laje. São construções de memórias lindas misturadas com uma educação alimentar leve, simples e feliz.

Já encanei que eles precisavam saber exatamente a cara de tudo. Até pratinhos com divisões eu arrumei, só que eles não comiam nada fora do arroz, feijão e filé de frango/carne/peixe. Nenhum leguminho. Nada de cenoura, chuchu, mandioquinha que até então iam bem, misturados na comida. Hoje resolvo isso levando-os para fazer as compras no sacolão, feira e hortifruti. Eles sabem a cara de tudo cru, natural e que fica bom na comida. Depois eu vejo como fazer pra comerem uma cenourinha fora do macarrão do Homem de Ferro ou da carne moída de cocô.

Agora que Tomás fez 2 anos, montamos um calendário e pintamos os finais de semana de verde. No dia verde pode muita coisa. Pode sorvete, bolo, pipoca, brigadeiro, bolacha maisena… – embora o lance ainda seja a qualidade, a quantidade aqui importa. Produtos caseiros, sorvetes artesanais, bolo da vovó… Um pedaço, quatro brigadeiros, uma vez em cada dia. Produtos processados e falsos demais ainda ficam fora. Biscoitos recheados, danoninhos, refrigerantes e afins continuam fora do cardápio eternamente enquanto dure.
Assim vamos levando. Tem dias que eles mal comem, outros de encher o bucho e repetir o prato.

Queremos uma alimentação boa, de qualidade e já estressamos enormemente por conta disso. Vamos buscando um caminho mais leve e desencanamos de tentar fazer o mundo entender e comprar essa ideia. De super-herói em super-herói, de comida nojenta em comida nojenta a gente chega lá.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s