Sobre dormir

O blog andou meio parado porque a vida deu uma corrida e fiquei sem fôlego. Mas a ideia e, principalmente, a vontade, é voltar.

Então vou postando aqui algumas coisas que tenho escrito e que tem estado aí pelo mundão. Começando por essa matérinha que fiz sobre o dormir das crianças, que conta um pouquinho de como é aqui em casa também. Conta como é por ai também!

(No fim tem o link pra matéria no lugar original do Yahoo).

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O segredo de fazer nossas crianças dormirem bem

Quando engravidei, pipocaram histórias sobre como os bebês não dormem e que eu deveria aproveitar a gestação para descansar. Em compensação, quando os meninos nasceram, muitas famílias se gabavam de como seus filhos dormiam a noite toda sem problemas. Essas mensagens eram muito misteriosas pra mim. Foi quando o segundo filho chegou e mostrou uma relação diferente com o sono que eu finalmente desconstruí todos os diferentes conselhos e entendi que não adiantava querer impor uma regra comum para dois seres humaninhos tão diferentes.

Eu acho que esse seria o conselho que eu daria se me atrevesse a cutucar a maternidade alheia. Mesmo porque, dormir bem é relativo. Como explica Sônia Masson Sertório, enfermeira especialista em obstetrícia e consultora do sono materno infantil, isso envolve diversos fatores: ambiente, alimentação, rotina, ritual. Segundo a especialista, as crianças passam a dormir melhor a partir dos 4 meses, mas para dormir sozinho não existe uma idade precisa.

Uma das sugestões que Sônia passa é em relação à rotina de sono. Ajudar o bebê a relaxar e se preparar para dormir pode facilitar bastante. “Para isso, é muito importante a manutenção de uma rotina e dos rituais diários que antecedem a hora de dormir.”, explica. Como em todos os momentos, os pequenos gostam de previsibilidade, saber o que vai acontecer. Isso traz conforto e segurança.

O pediatra espanhol Carlos Gonzáles, em seu livro “Besame Mucho”, explica que os bebês estão geneticamente preparados para acordar de tempos em tempos, herdaram esse padrão dos dias em que nós precisávamos dormir em estado de alerta para não sermos surpreendidos por animais no meio da noite. Em um trecho, ele conta que “As crianças «estão de plantão» para se certificarem de que a mãe não se foi embora. Se o bebê consegue cheirar a mãe, tocar-lhe, ouvir a sua respiração, talvez mesmo mamar, volta a adormecer de seguida. Em muitas das vezes, nem a mãe nem o bebê despertam completamente. Mas, se a mãe não está, a criança acorda completamente e começa a chorar. Quanto mais tempo tiver chorado antes que a mãe lhe acuda, mais nervosa estará e também mais difícil de consolar.”. De fato, com meu segundo filho, enquanto fazíamos o dormir compartilhado, os despertares – apesar de mais vezes por noite que o mais velho – eram menos trabalhosos.

A especialista em sono materno infantil reforça contando que as crianças acordam porque o sono é cíclico e o que vai diferenciar é que ela consiga voltar a dormir sem precisar da intervenção dos pais. “Por isso a importância de conhecer as associações negativas para não incentivá-las: sugar até adormecer, precisar ser ninada até adormecer, oferecer mamadeira para voltar a dormir… Considero problema a crianças acordar de hora em hora ou ter mais de dois despertares durante toda a noite, para bebês acima de 4 meses.”, conta.

Muitas famílias optam por chamar consultoras como a Sônia, e existem várias técnicas diferentes. É uma ótima oportunidade para se acalmarem e buscarem juntos maneiras de lidar com o problema. Gonzáles conta no livro que os especialistas em sono infantil concordam que “o objetivo dos seus métodos não é conseguir que a criança não acorde, isso é impossível. O que querem é que, quando acorda, em vez de chamar pelos pais, se mantenha calada até voltar a adormecer.”

Entre as mais diversas técnicas, a mais controversa é a de deixar a criança chorando. No programa “Bons Sonhos” do canal a cabo GNT, a consultora Márcia Horbácio apelidou esse método de “chororô do bem”, causando indignação entre algumas famílias. Na literatura sobre o assunto, o “Nana, Nenê” é o manual mais popular. A técnica é bem similar ao do programa de tv, chamada aqui de “choro controlado” – os pais entram no quarto em intervalos controlados para mostrar ao filho que estão por ali.

A consultora Sônia não atua com a técnica do deixar chorar. Ela explica que acredita que o vínculo não pode ser quebrado para sanar dificuldades com o sono. E continua: “Sei que os resultados são muito mais rápidos quando se utiliza o deixar chorar, mas prefiro o atendimento a longo prazo. Já atendi diversas famílias que utilizaram a técnica de deixar chorar, as crianças passaram a dormir bem e depois de um determinado episódio de adoecimento ou nova conquista de desenvolvimento, passaram novamente a ter dificuldades com o sono e então o novo processo de deixar chorar passa a ser mais sofrido ainda.”

O que todos os métodos, conselhos, dicas tem em comum é a rotina. Quando organizamos um ritual que será repetido todas as noites antes de deitar-se, as crianças sentem-se mais confiantes e compreendem melhor o que está por vir. É importante que o ritual seja tranquilo e, quando possível, envolva a criança nas atividades. Lá em casa, por exemplo, começamos diminuindo as luzes e buscando atividades mais tranquilas como colorir, ler histórias, pequenos jogos. Depois de um tempo, eles mesmos já sabem que está na hora de escovar os dentes, fazer xixi e ir pra cama. Lá contamos histórias, cantamos músicas – muitas vezes com as luzes já apagadas.

Cada família é única. E não existe caminho certo ou errado. O que podemos fazer é achar uma maneira em que todos estejam confortáveis. Elaborar uma rotina, dentro de horários e atividades que façam sentido para os cuidadores e as crianças. Assim como achamos que elas precisam aprender a dormir, não podemos esquecer que nós também precisamos estar dispostos a aprender, entender e aceitar o tempo e a personalidade de nossos filhos.

https://br.vida-estilo.yahoo.com/o-segredo-de-fazer-nossas-criancas-dormirem-bem-203650704.html

#milnoites A famosa rotina do sono

Uma das primeiras descobertas foi que a tal rotina do sono funciona mesmo. E faz diferença sim. E meus filhos – o mais velho em especial – precisam e gostam dela.

Quando ele era bebê, percebemos que lá pelas 19h30/20h Gabriel sempre dormia. Ainda que acordasse logo mais as 23h ou meia-noite para mamar, era um horário ótimo para que ele fosse pra cama quando emendasse a noite toda. Começamos então a esboçar uma rotina do sono que nos agradasse.

Lá pelas sete era hora do banho, bem calmo, tranquilo. O banheiro já com uma luz mais baixa. Depois íamos até a janela (era verão) para dar “tchau” pro dia e lembrar tudo o que tínhamos feito, locais por onde passamos, pessoas que vimos. Sempre falando mais suave, calmamente, sem excitação. É um momento de “baixar a bola” como diz o Otavio. Depois disso, mamá e historinha até dormir. No colo. Gabriel dormiu embalado no colo até passar pra cama.

Dito e feito. Ser tem coisa que esses livros que mais parecem manuais de robotizar bebês acertaram foi na tal rotina noturna. Em pouco tempo, Gabriel dormia por volta das 20h e só acordava pra mamar. Até hoje é assim. A rotina vai mudando conforme ele cresce e o horário já é um pouco mais tarde. Mas se passa das 21h, ele mesmo levanta e fala que “quer mamá” – código para “estou com sono e quero dormir”.

Tomás não teve muita escolha, como provavelmente a maioria dos segundos, terceiros, quartos (afe!) filhos. Veio em forma de tranquilidade e jamais questionou com choros o horário, a rotina, a maneira, nada. Pelo contrário. Totom não quis ser embalado por muito tempo, passou pra cama antes que conseguisse entrar e sair dela sozinho, dispensou a chupeta sem crise… Mas só parou de acordar a noite quando desmamou mesmo.

Sim. Tentamos acostumá-los a dormir com barulho, sem a casa calma, com luzes acesas e etc. Tudo o que muita gente diz que precisa ser feito para que eles se acostumem a dormir em qualquer lugar. Mas nós não pensamos assim. Simplesmente porque nós mesmos não gostamos de dormir nessas condições. E não nos sentimos confortáveis em fazer isso com eles. Tentamos, só que o Gabriel não é essa pessoa. O Totom sim. Dorme em qualquer lugar, com qualquer barulho, quase em qualquer posição. Se ele tem sono, vem pro colo, se aninha, reclama um pouco e apaga. Sério. A-PA-GA. Gabriel não. Gosta de dormir na cama, no escuro, em um ambiente calmo. E nós respeitamos isso. Não nos importamos nem um pouco. Sono pra gente é coisa sagrada. Eu amo dormir e entendo que preciso respeitar as pessoas que eles são. E essas pessoas são diferentes.

É difícil, é cansativo, mas é muito pior quando por alguma razão, um não dorme bem. O que vem depois é mais difícil – pra mim e, principalmente, pra eles. Hoje em dia, eventualmente, Gabriel até consegue dormir em outros lugares, com outros sons, luzes e agitação. Tudo tem seu tempo.

Afinal, sono é igual gosto: cada um tem o seu, não?

PS – Nenhuma criança aqui foi objeto da experiência de deixar chorar até dormir ou qualquer outra forma absurda de “treino” do sono. Até hoje, eu, Otavio ou nós dois ficamos no quarto com eles até que durmam. Tranquilamente e de maneira que se sintam seguros e conectados.

Eu não sei, mas seu filho sabe…

Então que eu descobri um talento inesperado em mim. O de fazer crianças dormirem. Não sei como. Mas talvez seu filho saiba.

Não me refiro aos meus filhos, pois é sabido que – embora eles durmam geralmente bem – houveram momentos de sofrência em todas as partes envolvidas no processo.

Claro que tenho algumas manhas, e uso e abuso delas. Gabriel já chegou numa idade em que percebe o caminho em que estou o levando e, as vezes, tenta se safar. Geralmente são nesses dias que descubro novas ferramentas. Uma história, uma música, um mantra, um carinho naquele pedacinho da cabeça…

Todos temos nosso ponto fraco. Aquele que o sono, por mais que tente, não consegue vencer. Eu durmo tirando a sobrancelha. Com pinça. Sim. É relaxante. Massagem no pé. Filme chato. Livros que tenham muitos personagens. Ou que dão voltas e não chegam a lugar algum. Qualquer deitadinha que venha seguida da “dor de alívio” (aquela dor de cansaço na base das costas que é ruim, mas é boa sabe?). Chá, vinho, maconha. Essas e muitas outras são armadilhas contra a insônia hoje em dia. É ruim de eu não dormir viu! O maior remédio? Dois filhos. Assim, bem seguidinho. Sem tempo de pensar.

Ora! Crianças são seres humanos. É de se esperar que o que serve pra mim, pode ser reaproveitado, com algumas modificações, para elas.

No começo do ano, fiz a Alice de 1 ano e 9 meses capotar no aniversário da mãe dela. Os meus nem pensaram em dormir, mas a pequena apagou e minha amiga ficou liberada para curtir uma taça de vinho e a visita dos amigos.

Depois um bebê. Coisica mais fofa e linda. Não dormia. A mãe, também amiga, anda exausta. Mais uma na onda escadinha e tem dois meninos pra driblar na hora do sono. Então que depois de o Pedro passar pelo colo do pai, da mãe e do carrinho, arrisquei. Naquele dia em especial, eu andava com saudade de um bebezinho – agora que o meu deixa, aos poucos, as fraldas.

Peguei o bebê. Dei uma pequena volta pelo parquinho, cantei uma música que inventei e que embalava o Gabriel nos seus primeiros meses. Batata!

Entenda. Passei a vida correndo de criança. Tinha certeza de que todas não iam com a minha cara e eu, também, não ia lá muito com a cara melequenta e babada delas. A primeira vez que fiquei sozinha com um bebê foi com a minha sobrinha. Ela tinha uns 8 meses e eu fiquei de babá. Pela primeira vez. Durante os 10 minutos iniciais,a vida estava linda. Ao escorrer a primeira gota de lágrima, meu mundo – e o dela – caiu. Como chorou a pequena! E eu desesperada porque não fazia a menor ideia do que aquele serzinho precisava.

Então fiz o que qualquer adulto sem experiência com bebês faria. Sentei e chorei. Depois troquei a fralda (que estava limpa). A coloquei, aos prantos, no carrinho. E, tentando aparentar calma, empurrei pra frente e pra trás durante o que me pareceu uma eternidade. Até que ela dormiu. E eu estava exausta. Não tinha passado nem uma hora.

Esse final de semana me senti um ser humano muito evoluído. Bebês não são tããããão difíceis de se fazer dormir quanto uma criança de 3 anos. O Gabriel dá muito, mas muito mais trabalho do que o Tomás. Se não estiver tudo escuro e quieto, esquece.

Aconteceu um churrasco e já acordei no modo zen, sabendo que ele não dormiria nem a pau e que nós daríamos um jeito de lidar com o gênio indomável que a falta da soneca da tarde traz. Eram muitas crianças, música alta, agitação, festa, bagunça. “Deixa ele curtir!”.

Levamos colchões para casos específicos, como o Tomás e um amiguinho febril que pudesse capotar. No meio da tarde, toda a garotada de 3 anos estava com sono, mas só uma tinha se rendido.

Num daqueles momentos de “cadê meu filho?”, dou de cara com Gabriel e seu melhor amigo deitados num dos colchões aparentemente conversando. Fui até lá ver se estava tudo bem. Joguei um verde e a colheita foi incrível. Nocaute em duas crianças. De três anos.

E foi assim que eu me senti o Fabio Puentes, aquele cara que hipnotiza as pessoas na tv, fala “bem dormido, bem dormido” e faz com que elas comam cebola achando que é maçã.

o sono é importante. porra

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Sou daquelas que quando descobriu que estava grávida tinha certeza de que não iria ouvir o bebê chamar na madrugada. Então fui atrás. Porque se tem uma coisa que aprendi nessa vida é que se você não sabe, procure. E mesmo achando que achou a resposta, tudo pode, e provavelmente vai, mudar quando a hora da prática chegar. O tal da “tentativa e erro” que falei no post passado.

Quando chegamos da maternidade, colocamos o Gabriel para dormir no moisés ao meu lado na cama. Eu tinha pânico de cama compartilhada, de que um de nós rolasse por cima daquela coisica tão pequena em quem até as roupas RN ficavam enormes. Hoje sei que não é bem assim. E dormir juntinho é sinônimo de dor e delícia.

Enfim, ele ficou ali. Dormindo no cesto até a virada do ano (4 meses). Na primeira noite no próprio quarto, ele foi ótimo. Dormiu de boa. E nós também. Sem abajur, sem luzinha, sem odiar. Ufa!

A maneira que fizemos naquela época foi a que entendemos como melhor e não nos arrependemos. Ele chorava mais pra dormir, e talvez não tivesse sido mesmo a hora dessa separação. Por isso sei que hoje faria diferente e, portanto, diferente foi com o Tomás.

Quando o Totom chegou fomos todos para o quarto dos pais. Levamos a cama do Gabriel, e Tomás dormia no moisés e depois num berço de viagem. Quarto superlotado de gente e de amor. Eventualmente um dos dois ia pra nossa cama. Mas de qualquer jeito, o sono era compartilhado. E assim ficou até mudarmos de casa, quando o Gabriel tinha 1 ano e 11 meses e o Tomás só 4 meses.

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Nosso quarto: Tomás no moisés, Gabriel na caminha numa soneca da tarde

Olha como a vida é fanfarrona! A gente ia fazer diferente, mas o menor acabou passando pro quarto na mesma idade do maior. A diferença? Continuavam compartilhavam o sono. Entre eles. Aqui eles passaram a dormir no mesmo quarto. Mesmo assim, vira e mexe aparecia um bebê na nossa cama de madrugada. No começo era mais o Tomás porque acordava pra mamar e eu preferia ficar com ele por perto para facilitar. Depois passamos a revezar mais, pois Gabriel ficava enciumado.

Posso dizer seguramente que só não fizemos cama compartilhada porque eu e Otavio andávamos exaustos demais e dormir com eles, na maioria das vezes, significava dormir numa posição quase caindo do colchão, o que nos deixava (mais) cansados e com dores no corpo no dia seguinte. E o sono compartilhado não era possível porque o quarto aqui é bem menor e não cabem camas extras. Ainda assim, um colchão no chão era estrategicamente posicionado quando as visitas noturnas eram frequentes, ou duplas, ou um filho doente curava a virose.

Foi uma escolha nossa e que foi bem recebida pelos dois. Eles dormem juntos desde sempre. Isso é muito legal. Raramente um acorda com o choro do outro. Acredito que isso fortaleça a relação deles. E raramente negamos um pedido para dormir na cama da mamãe e do papai. A única condição é que, se um está aqui, o outro fica no próprio quarto. E ai, meus amigos, lá vai mamãe ou papai se espremer e dormir na cama do filho.

(ah! acabou que eu sempre ouvi eles na madrugada, acho que a gente vem com um chip que nos acorda sempre que o bebê respira diferente.)